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domingo, 3 de março de 2013

[hac ora]


o problema é esta sensação que viveremos, para sempre. 
que as coisas más, só acontecem aos outros. 

[vi]vemos a vida como algo adquirido. 

deixamos tudo para amanhã. amanhã, no mês que vem, para o ano... 

o hoje? adormecido. 
amanhã, é um novo dia. 
deixemos tudo para o amanhã. 
amanhã, logo se vê.

contudo, não é bem assim 
[não é, de todo, assim].

de um momento para o outro, um diagnóstico muda tudo. o amanhã vai ser muito difícil, o mês que vem, pior. para o ano... o prognóstico não é o mais positivo...

e, de repente, percebemos que queremos Viver. e começamos a querer viver mais e mais depressa. queremos experimentar tudo o que sempre quisemos fazer. 

queremos. 
mais tempo. 

mas, o tempo... escapou-se-nos entre os dedos, ao longo de todos os anos, que vivemos adormecidos. um dia após o outro. a trabalhar, a tratar da casa, da vida dos que nos rodeiam.

escapou-se-nos o tempo. a vida.

tenho alguém, perto de mim, a passar por isto. perto da minha idade, na ternura dos quarenta. uma espécie de dona de casa desesperada. vivia para o trabalho, para a família. esquecia-se dela, não tinha tempo... 

[amanhã, no mês que vem, para o ano]

agora,
tem pressa.
tem vontade.
tem luz.
tem cor.
tem sede.
tem Vida.
tem uma lista de todas as coisas que quer fazer antes de morrer.
agora... não tem tempo.

e eu pergunto-me: porquê? porque é que precisamos de um diagnóstico cujo prognóstico não é o mais positivo, para acordarmos para a Vida, para nós? 


tomamos a vida como garantida. 
contudo, ela não o é. 

por isso, vivamos o dia como se fosse o último. 

o que faria, se este fosse o meu último dia? 

façamos uma lista. 
façamos algo diferente, a cada dia que vivamos.
façamos.
algo louco.
algo novo.

há que celebrar cada dia, cada hora, cada minuto... há que sorver a vida, a luz que nos rodeia, sentir o ar, a água, tocar na terra, mergulhar em nós. 

viver cada dia, como se fosse o último. 

porque... um dia, será.

3 comentários:

Fê Blue bird disse...

Querida mana, estou tão feliz por ver que voltaste ao activo :))
E que nos deixas interagir contigo :)

Sabes, penso muitas vezes no que acabaste de escrever...e vou adiando...adiando e até que um dia..já será tarde.

Beijinho

su, a caminhante disse...

Querida Fê, já sentia falta... obrigada por estares comigo. Bjinho...

Mary Brown disse...

Su essa falta de tempo começou-me a preocupar há dois anos para cá. Apercebi-me que o fim estava mais próximo, a juventude tinha voado e com ela a vida. Não são precisos diagnósticos basta-nos ir sentindo a saúde desaparecer de dia para dia. Por isto tudo a reforma começou a ser uma obsessão para mim. Quem trabalha não tem tempo para viver, principalmente uma mulher. As tarefas tiram-nos o tempo para viver e eu queria poder viver antes de morrer e não sei se terei tempo. Há um dia que nos apercebemos que queremos viver e que podemos não ter tempo mas não podemos largar tudo para viver, precisamos de trabalhar para nos sustentarmos. Enfim, a vida tem muitos problemas para resolver e alguns nunca s resolveremos. Temos que a prender a viver com eles. Beijinhos

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sob o céu oblíquo de uma água-furtada, questionando a imensidão do mundo...

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...tingem-se as paredes com a doce nicotina e ausculta-se a noite. dos lados da serra, o vento sussurra num gemido partilhado e a garganta aperta. acabou-se o álcool. a música percorre o tempo. pudesse eu viajar com ela e escutarias meus pensamentos perversos a propósito do teu corpo. os invejosos clamam aos deuses, por a ninfa me sorrir. talvez um dia eu me desforre doce amada.


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